Livro_Pensando_a_vida

Livro_Pensando_a_vida

domingo, 15 de março de 2009

Perguntas e respostas

Eu nunca fui lá estas coisas na escola, sempre fiz muita bagunça... Dizem as más línguas que até coloquei fogo na escola uma vez, não me lembro disso...

Mas eu me lembro dos colegas que tinha lá na escola João Jazbik, era uma turma boa, tinha o Juruna, o Augostinho, o Messias, e muitos outros. Mas tinha um que era o meu melhor amigo, o Antonio de Pádua, ele morava na minha rua, e tinha este nome por causa do santo Antonio, o santo casamenteiro.


Eu me lembro que nós não gostávamos muito das brincadeiras mais populares da escola, futebol, pique corre, bandeirinha e etc. Nós nos sentávamos em cima de uma velha árvore (que está lá ainda hoje) e começávamos a conversar sobre muitas coisa que meninos de sete a nove anos conversam, para os adultos amenidades, ou como dizem por lá 'bobisse'. Para nós era coisa séria, muito séria...


Antonio de Pádua e eu nesta época fazíamos catecismo na paróquia de São Jorge, com o Padre Eduardo e com a tia Dulce, (eu devo confessar que não gostava muito) passávamos uma boa parte das tardes de sábado estudando e respondendo perguntas acerca da fé católica e assim com tudo correndo bem, faríamos a tão esperada primeira comunhão... Grande evento para minha família e para a dele também.


Como não nos divertíamos com os outros colegas nas brincadeiras mais tradicionais, agente subia na velha árvore começava a conversar, falávamos muita coisa, mas o assunto mais cotado era sobre religião. Nossas questões eram bem relevantes para dois meninos de sete anos, eu já tinha sido levado algumas vezes à segunda igreja batista pelo meu tio que sempre que estava em Pádua fazia questão de nos levar aos cultos dominicais naquela congregação. Nestas visitas a segunda igreja batista muitas questões nasceram em meu coração.

Então eu perguntava pra ele, que era mais fiel a fé católica do que eu, como Maria podia ser mãe de Deus? Por que havia lá estátuas se a bíblia proibia? Por que se confessar com o padre se ele era homem igual à gente? Por que padre não se casava se era Deus que havia inventado a família? Por que a missa era em latim se ninguém entendia nada? Ele não conseguia me responder nada, mas também não perguntava nada, virou um padre, e acho que foi mais pra agradar a família, que tinha um sonho de ter pelo menos um padre e uma freira na família.


Como você pode perceber, eu desde pequeno tive um "q" de questionador, sempre fui de questionar, de fazer perguntas, de fazer muitas perguntas. Eu não mudei, continuo fazendo perguntas e por isso descobri que o ônus da pergunta é a resposta. Bem pior do que perguntar é receber a resposta. É, eu sei que parece estranho para você, é pra mim também... O que acontece é que o poder de perguntar está comigo, mas o de responder é do outro, isso complica a coisa toda, pois nem sempre recebemos a resposta que esperamos, ou mesmo gostaríamos de receber.


De uns tempos pra cá andei fazendo umas perguntas que me renderam algum sofrimento na alma. Comecei a questionar muita coisa, e depois de algum tempo comecei receber respostas, e sobre estas não tenho controle algum, e esta tem me ferido a alma, não porque são mentiras, mas verdades.


Eu cheguei à conclusão de que viver em um mundo de utopias é muito mais fácil do que encarar de frente as verdades contidas nas respostas que recebemos quando questionamos. Fiz perguntas a mim, a Deus, ao mundo. O pior é que fui respondido, e com as respostas o castelo de areia se desmoronou,precisei começar reestruturar a minha vida diante destas verdades. É preciso agir, mas como é difícil recomeçar! Como é duro dar o primeiro passo do recomeço, devido ao fato de ser obrigado a reconhecer que em muitas coisas eu fracassei, aliás, eu mais fracassei do que triunfei. Muitas vezes parece que a carga está pesada demais, então eu me arrasto em direção à verdade, em direção ao que me fere, ao que me deixa sem chão.


Hoje eu estou aqui, com uma única certeza em meu coração, vou continuar questionando, fazendo perguntas e pedindo forças para aprender a lidar comigo mesmo quando estiver de cara com as respostas de tais perguntas.


Hoje, sou uma vítima das minhas próprias perguntas, ou das respostas que recebi. Mas essas respostas, mesmo sendo tão duras me revelam a luz, e com esta luz eu vou caminhar, sempre em frente, mudando a cada dia, para melhor. Muitas vezes deprimido, triste, cercado de dores, mas outras vezes cheio de alegria. Algumas vezes correndo e saltando, outras me arrastando, mas sempre na mesma direção, eu tenho uma direção, eu tenho pra onde ir. Eu não estou andando sem rumo!


Eu estou indo pra aquele que é a única verdade absoluta, Jesus. Eu sei que ao me encontrar nele eu me encontrarei em mim. Como disse Santo Agostinho: "Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti."


JM



Nenhum comentário: