Livro_Pensando_a_vida

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domingo, 5 de fevereiro de 2017

"Sempre fiz questão de pregar o Evangelho onde Cristo ainda não era conhecido, de forma que não estivesse edificando sobre um alicerce elaborado por outra pessoa." Romanos 15.20

O proselitismo não coisa nova, apenas mudam algumas de suas características de tempos em tempos. Tenho observado este fenômeno já faz um bom tempo, as grandes seitas cristãs tem uma circulação de membresia entre si, os seus fiéis vão e voltam atras de uma melhor proposta de fé, pois estas tem crenças muito parecidas. Estes dias tenho pensado sobre um fenômeno atual, começou a poucos anos, mas ganhou força mesmo de 2015 para cá. Uma grande igreja evangélica tem se expandido plantando núcleos pelo Brasil e até fora do Brasil. Há algum problema nisso? Claro que não, é uma benção que o evangelho seja pregado é que a igreja cresça mesmo, todo organismo vivo e saudável cresce. Então qual é o problema? O problema é que em alguns lugares esta grande igreja chega com a sua marca, divulga em todas as redes sociais o seu primeiro encontro, com data e locais definidos. Na primeira reunião vai um bastante gente, pois a marca da igreja é muito conhecida pelos crentes em todos os lugares do nosso Brasil. Depois dessa primeira reunião começa então as reuniões regulares, semanalmente começam a se encontrar para as celebrações. O número de pessoas aumenta a cada encontro, pois s crentes vão chamando outros crentes e assim em poucos encontros se estabelece uma congregação na cidade. Faço uma pergunta, houve algum crescimento da igreja de Cristo? Claro que não, pois os frequentadores da igreja de marca que está nascendo eram em sua grande maioria membros de outras igrejas evangélicas que migraram para esta. Em uma cidade grande pode ser que as igrejas locais não sintam tanto o impacto da chegada desta marca famosa de igreja, mas cidade de médio e pequeno porte muitas igrejas locais tem sofrido com a migração dos seus membros. Gente de louvor, líderes de grupos, professores de classes, obreiros ativos são atraídos pela marca é assim deixam suas igrejas locais. As grandes marcas de igreja, acredito que não seja intencional, acabam edificando suas novas bases "sobre fundamento alheio". Sou um missionário, estou plantando uma igreja em minha cidade, tenho outros amigos na mesma situação, sabemos o custo de trazer uma vida para Jesus, de acompanhá-la e levá-la a um compromisso com Jesus. Não temos uma grande marca a nós patrocinar, trabalhamos duro para ver Cristo sendo gerado nas vidas que Deus nos confiou. O meu desejo sempre será não pescar em aquário.
Uma lagoa, pequena ou grande pode se formar a partir de uma enchorrada, na não sobrevive aos tempos de seca. A promessa da Bíblia é transformar desertos em rios e não em lagoas. Um riacho bem pequeno pode ter mais vida do que uma grande lagoa.
Existem muitas pessoas que precisam de Deus, e são estas que eu quero alcançar para Jesu, sou contra o proselitismo gospel em qualquer uma das suas modalidades.
Um abraço, Pr. JM

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Um lamento na madrugada!

A ordem mais contundente de Jesus a igreja é o "Ide e fazei discípulos", mas amo após ano, dia após dia temos desobedecido ao Senhor Jesus. Ainda temos criado mecanismos para que cada vez mais a igreja permaneça estacionada na desobediência e inércia, criamos um grande parque de diversões gospel, com atrações temáticas. Congresso de louvor e adoração, festivais de música, congresso de homens e de mulheres também, seminários para casais, jantares para os mesmos casais, encontros para os casais, noites especiais sem fim, acampamentos, retiros, palestras, e todo tipo de distração para os crentes continuarem alienados daquilo que Deus quer realmente que a igreja faça. Não são coisas ruins que tem feito a igreja ficar parada, mas coisas aparentemente boas, com nomes bonitos, com ares de sofisticação e tal. A Bíblia nos fala que satanás se traveste em anjo de luz, a Bíblia diz que se for possível até os escolhidos seriam enganados, então, as coisas boas que nos mantém longe da obediência na verdade não são coisas boas, são armadilhas do diabo para nos manter em pecado, na contramão daquilo que Deus quer de nós! Eu sei que muitos não concordam com isso, mas pense em quantas pessoas você falou do amor de Deus este ano, agora pense em quantos eventos você foi que só tinham crentes. Pensou? Então você obedeceu mais a Jesus ou participou de eventos gospeis? Para ficar parado nós não precisamos de nada, a desobediência faz parte da nossa natureza, então não precisamos criar tantos eventos para que os crentes fiquem presos em seus lugares, eles já tende ficar, o que os líderes deveriam fazer é ajudar os cristãos sob a sua liderança a irem, a pregarem o evangelho, a fazerem discípulos. Sabe de uma coisa, os eventos que fazemos para os crentes em sua grande maioria não dão em nada, "é vento" mesmo. Não adianta chorar, não criatividade que resista, pois é impossível agradar a um grupo de pessoas que já tem tudo, que muitos já experimentaram diversas realidades eclesiásticas e mudaram por não estarem satisfeitos, certamente vão continuar assim. Na verdade eles estão em busca de algo que lhes satisfaça, são os filhos da sanguessuga: dá, dá... Seus ventres são insaciáveis, são obesos espirituais, nuca repartem, somente recebem, recebem, recebem, um dia vão explodir como aquela personagem da novela.
O problema nosso é que perdemos a nossa identidade, e com isso perdemos também a nossa missão. Somos um povo conduzido para qualquer lugar que queiram nos levar, como diz a Bíblia, qualquer vento de doutrina. O que falta a você e a mim, como igreja é resgatar em Cristo a nossa identidade e a nossa missão.
Ide e fazei discípulos, isto é muito mais simples e barato do que a maioria das coisas que fazemos hoje em nossas igrejas, mas não dá dinheiro nem status. Estes dois elementos movem muitas igrejas e lideranças em nosso tempo, dinheiro e status. Que triste! Vivemos guiados pelo instinto do mundo, Jesus disse que não deveríamos viver assim, Paulo também disse que não deveríamos entrar na mesma forma do mundo. Mas o que é a Bíblia para quem somente a usa para alcançar os próprios objetivos e realizações?
Vou parar meu lamento por aqui, um abraço, JM

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Os mercenários, os pastores e a vaidade (parte 2)

João 10.13-15:"Ora, o mercenário foge porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas."
Quero continuar a minha reflexão sobre o pastor e o mercenário, no texto anterior eu citei três características ou três diferenças entre os dois. Vou caminhar mais um pouco.
O texto acima fala algo muito interessante sobre o mercenário, diz que ele não enfrenta os desafios diante do rebanho ameaçado não é por falta de capacidade, mas sim porque não se importa com as ovelhas. Hoje em dia encontramos muitos líderes com título de pastor a frente das congregações, mas quando há uma ovelha que está sob o seu cuidado ameaçada por alguma coisa e vai até ele acontece uma revelação, a do seu caráter. Conheço muitas histórias de pessoas abandonadas por seus supostos pastores bem no momento que mais precisavam, ele temeu deixar as 99 no aprisco para se dedicar ao cuidado de uma que estava em dificuldade. Há muitos anos atras eu conheci um garoto que estava sendo envolvido por um grupo de homossexuais, ele era adolescente e estava sendo usado para aliciar outros para este grupo mal intencionado. Falei com o pastor dele, este me confirmou que tinha conhecimento do fato, mas por temer a reação da mãe do adolescente não ia falar nada, iria somente orar por ele. O medo do enfrentamento, isto é uma coisa que um pastor de verdade não pode ter, pois o rebanho é ameaçado todos os dias, ursos, leões, ladrões, pragas e etc. Mercenários não enfrentam perigos pelos rebanhos que estão supostamente cuidando, quando surge qualquer ameaça ele foge. O bom pastor, ele enfrenta qualquer coisa pela segurança das ovelhas a ele confiadas, sua vida não faz sentido sem aquele trabalho, vive e morre por aquilo que cuida. Já ouvi histórias de pastores que enfrentaram traficantes armados para defender suas ovelhas, de homens que deixaram tudo o que tinham por amor ao rebanho do Senhor, que viveram e morreram pelas ovelhas do Sumo Pastor.
Tem outra coisa que o mercenário gosta, o prestígio, a honra de estar diante de um rebanho. Ele busca sempre a honra diante dia homens, veja o caso de Saul quando desobedeceu ao Senhor no caso dos amalequitas, (1sm 15) a principal preocupação dele era que o profeta fosse oferecer sacrifício com ele publicamente, ele queria que o profeta Samuel o honrasse publicamente. O mercenário sempre está em busca desta honra dos homens, ele vive disso, pois ele é vaidoso. O pastor é bem diferente, pois aprendeu a viver entre as ovelhas, um lugar sem espaço para vaidade. No meio do rebanho existe uma solidão protetora, Brennan Manning chamava de solitude, é um lugar onde a única presença é a de Deus. Quando o pastor está envolvido com a sua função, ele não pensa se está sendo aprovado ou não, isso não importa, o que realmente importa são as suas ovelhas, que são a missão de sua vida. Um pastor na função, Oswald Smith disse certa vez: "Não combato, não me defendo. Faço a obra de Deus."
Conheço pastores que se comportam como mercenários, pois não estão preocupados com o rebanho, mas sim consigo mesmos, amam o conforto, o prestígio e as honrarias do cargo que ocupam, mas as ovelhas que estão sob a sua responsabilidade não recebem o devido cuidado.
Precisamos ficar atentos, ser um líder é bem diferente de ser um pastor. Muitas pessoas questionam sobre a conduta do pastor "a" ou do pastor "b", mas ser chamado de pastor não quer dizer que a pessoa é, embora está pessoa possa estar liderando uma congregação. A igreja carece de pastores, o mundo sem Cristo geme por falta de bons pastores. O que temos visto com freqüência são mercenários se passando por verdadeiros pastores e fazendo assim com que muitas ovelhas do Senhor fiquem perdidas ao longo do caminho.
Estou cansado de ver homens e mulheres que foram intitulados de pastores, pastoras mas não o são, nunca deixam as "99" para estar com aquela que se perdeu, ficam em suas salas esperando a hora marcada para que aquela ovelha fraca venha até ali para que ele ofereça um suposto cuidado. Ovelhas não são números!
Enfim, precisamos afastar a vaidade do nosso coração, o chamado pastoral não é um chamado a uma vida melhor, mas um chamado de lutas e sacrifícios. O chamado pastoral é um chamado excelente, mas não do ponto de vista humano.
Que sejamos pastores, há muitas ovelhas perdidas carecendo de cuidados, muitas estão feridas pelos mercenários, sentem-se exploradas, usadas e enganadas. Muitas estão arredias, pois confiavam em um suposto pastor que deveria cuidar dela, mas foi ferida por este. Que a cura do Senhor seja sobre cada ovelha ferida, que haja restauração para estas preciosas vidas!
Um abraço, JM

domingo, 4 de outubro de 2015

O pastor e o mercenário (parte 1)

João 10.11-15:"Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o que é mercenário, e não pastor, de quem não são as ovelhas, vendo vir o lobo, deixa as ovelhas e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora, o mercenário foge porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas."
Tenho pensado nos últimos dias sobre duas figuras que Jesus usou no Evangelho de João, no capitulo 10, o pastor e o mercenário. São duas figuras antagônicas entre si, mas estão evolvidas em um mesmo trabalho, a lida com as ovelhas.
A primeira diferença que temos entre o pastor e o mercenário é a motivação pela qual cuida do rebanho, um faz por vocação o outro por dinheiro. É perceptível quando alguém exerce uma função somente para conseguir ali o seu sustento, percebemos que há compromisso e fidelidade, porém tudo é feito pelo dinheiro, pelo salário e não por amor. Vocação é bem diferente, segundo Ed René Kivitz, sabemos que temos uma vocação quando se estamos dispostos até a pagar para fazer aquele trabalho, o pastor vive para seu rebanho, já o mercenário está com o rebanho enquanto isso lhe parece interessante e lucrativo.
A segunda diferença que destaco aqui é a coragem para enfrentar o desafio junto as ovelhas. O pastor dá a vida por elas, temos o exemplo do Davi, que enfrentou ursos e leões para salvar as ovelhas que cuidava em adolescência, enfrentou perigos incontáveis. Um dia olhando para si mesmo é o seu cuidado com o rebanho escreveu o Salmo 23, exaltando o cuidado do Senhor para com ele, pois se ele sendo fraco e falho era tão dedicado o Senhor certamente não seria menos que ele. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas, dá até mesmo por uma só, Jesus contou uma história de uma pastor que tinha 100 ovelhas, quando contou faltava uma, ele deixou as 99 no aprisco e foi atras daquela que faltava. O mercenário trabalha com a quantidade, ele não se arrisca, não quer perder seu lucro, quando uma ovelha se perde no caminho e o ele percebe o seu comportamento é diferente daquele bom pastor. O pensamento do mercenário está no lucro, no capital. Na cabeça dele é mais importante cuidar das 99 ovelhas que fica do que buscar a que se perdeu, pois o seu sustento não foi comprometido com a perda de uma ovelhinha, 99% do rebanho está ali ainda. Para o bom pastor ovelhas são importantes, precisam de cuidados, mas para o mercenário elas são números, cifras, estatísticas. Por isso ele não dá a vida por nenhuma ovelha, não há sentimento na relação mercenário x ovelha, a relação é apenas de lucro e ganho. O bom pastor enfrenta qualquer coisa pelas ovelhas que foram confiadas a ele, Jesus disse isso, o mercenário frente ao perigo foge, ele não está disposto a se envolver em confusões e problemas, muito menos morrer por uma ovelha.
Terceira diferença é a forma com que o pastor se relaciona com seu rebanho, ele vive ali perto de suas ovelhas, segundo João 10 ele se coloca como porta, ele sempre é achado entre suas ovelhas, no dia que Samuel foi ungir o novo rei de Israel, depois de passar os 6 irmãos mais velhos, ele perguntou se tinha mais algum, qual foi a resposta? Tem um mais moço, ele está cuidando das ovelhas. O salmo 78.70-72 diz que Deus achou a Davi no meio das ovelhas. Pastor de verdade tem cheiro de ovelha, ele está totalmente envolvido com o rebanho que o Senhor lhe deu para cuidar, Jesus disse que as ovelhas conhecem a voz do bom pastor, o relacionamento entre eles é íntimo e estreito, há compromisso e intimidade. O mercenário é o mais impessoal possível, pois ele pensa sempre no futuro, ele pensa que amanhã pode não estar mais ali, então para que se apegar? Ele faz então o básico para se manter no cargo até que surja uma oferta melhor, por isso não há envolvimento. O bom pastor vive com seu rebanho, ele não imagina não estar amanha sem as ovelhas que cuida, então se entrega completamente ao seu trabalho. O Salmos 78 diz que Davi foi fiel, íntegro e com o mesmo coração foi ser pastor (rei) de Israel. O mercenário despreza o rebanho, ele o vê como um "meio" para se chegar a determinado "objetivo", pois sempre está pensando em melhorar. As ovelhas não tem tempo de aprender a reconhecer a sua voz.
Existem outras coisas que eu poderia destacar aqui, mas vou deixar para uma próxima oportunidade, quero concluir chamando você à reflexão, quando olhamos para a igreja evangélica hoje o que vemos mais? Bons pastores ou espertos mercenários? Estamos diante de uma multidão de ovelhas sem pastor, se Deus abrisse um "concurso" para contratar bons pastores para cuidar de seu rebanho muitos "candidatos" desistiriam ao ler o "edital", pois as obrigações do cargo são pesadas, realmente para quem pensa em lucro, estabilidade, prestígio, honra e carga horária leve o cargo de pastor não lhe serve, por isso muitos preferem ficar como temporários nesta função, a qualquer preço, fazem qualquer coisa para se manterem no cargo, mas se esquecem que o Supremo pastor lhe pedirá contas do rebanho dele, leia Ez 34.1-10, veja como é complicado lidar de qualquer jeito com o que Deus tem como especial. Agora leia 1 Pe 5.4 e veja a recompensa dos pastores fiéis ao Senhor e ao Seu rebanho.
Espero que ao concluir esta leitura você possa estar colocando a sua vida diante do Senhor, assim como eu estou fazendo, quero ser um pastor e não um mercenário.
Um abraço, Pr. JM