Livro_Pensando_a_vida

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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Os mercenários, os pastores e a vaidade (parte 2)

João 10.13-15:"Ora, o mercenário foge porque é mercenário, e não se importa com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas."
Quero continuar a minha reflexão sobre o pastor e o mercenário, no texto anterior eu citei três características ou três diferenças entre os dois. Vou caminhar mais um pouco.
O texto acima fala algo muito interessante sobre o mercenário, diz que ele não enfrenta os desafios diante do rebanho ameaçado não é por falta de capacidade, mas sim porque não se importa com as ovelhas. Hoje em dia encontramos muitos líderes com título de pastor a frente das congregações, mas quando há uma ovelha que está sob o seu cuidado ameaçada por alguma coisa e vai até ele acontece uma revelação, a do seu caráter. Conheço muitas histórias de pessoas abandonadas por seus supostos pastores bem no momento que mais precisavam, ele temeu deixar as 99 no aprisco para se dedicar ao cuidado de uma que estava em dificuldade. Há muitos anos atras eu conheci um garoto que estava sendo envolvido por um grupo de homossexuais, ele era adolescente e estava sendo usado para aliciar outros para este grupo mal intencionado. Falei com o pastor dele, este me confirmou que tinha conhecimento do fato, mas por temer a reação da mãe do adolescente não ia falar nada, iria somente orar por ele. O medo do enfrentamento, isto é uma coisa que um pastor de verdade não pode ter, pois o rebanho é ameaçado todos os dias, ursos, leões, ladrões, pragas e etc. Mercenários não enfrentam perigos pelos rebanhos que estão supostamente cuidando, quando surge qualquer ameaça ele foge. O bom pastor, ele enfrenta qualquer coisa pela segurança das ovelhas a ele confiadas, sua vida não faz sentido sem aquele trabalho, vive e morre por aquilo que cuida. Já ouvi histórias de pastores que enfrentaram traficantes armados para defender suas ovelhas, de homens que deixaram tudo o que tinham por amor ao rebanho do Senhor, que viveram e morreram pelas ovelhas do Sumo Pastor.
Tem outra coisa que o mercenário gosta, o prestígio, a honra de estar diante de um rebanho. Ele busca sempre a honra diante dia homens, veja o caso de Saul quando desobedeceu ao Senhor no caso dos amalequitas, (1sm 15) a principal preocupação dele era que o profeta fosse oferecer sacrifício com ele publicamente, ele queria que o profeta Samuel o honrasse publicamente. O mercenário sempre está em busca desta honra dos homens, ele vive disso, pois ele é vaidoso. O pastor é bem diferente, pois aprendeu a viver entre as ovelhas, um lugar sem espaço para vaidade. No meio do rebanho existe uma solidão protetora, Brennan Manning chamava de solitude, é um lugar onde a única presença é a de Deus. Quando o pastor está envolvido com a sua função, ele não pensa se está sendo aprovado ou não, isso não importa, o que realmente importa são as suas ovelhas, que são a missão de sua vida. Um pastor na função, Oswald Smith disse certa vez: "Não combato, não me defendo. Faço a obra de Deus."
Conheço pastores que se comportam como mercenários, pois não estão preocupados com o rebanho, mas sim consigo mesmos, amam o conforto, o prestígio e as honrarias do cargo que ocupam, mas as ovelhas que estão sob a sua responsabilidade não recebem o devido cuidado.
Precisamos ficar atentos, ser um líder é bem diferente de ser um pastor. Muitas pessoas questionam sobre a conduta do pastor "a" ou do pastor "b", mas ser chamado de pastor não quer dizer que a pessoa é, embora está pessoa possa estar liderando uma congregação. A igreja carece de pastores, o mundo sem Cristo geme por falta de bons pastores. O que temos visto com freqüência são mercenários se passando por verdadeiros pastores e fazendo assim com que muitas ovelhas do Senhor fiquem perdidas ao longo do caminho.
Estou cansado de ver homens e mulheres que foram intitulados de pastores, pastoras mas não o são, nunca deixam as "99" para estar com aquela que se perdeu, ficam em suas salas esperando a hora marcada para que aquela ovelha fraca venha até ali para que ele ofereça um suposto cuidado. Ovelhas não são números!
Enfim, precisamos afastar a vaidade do nosso coração, o chamado pastoral não é um chamado a uma vida melhor, mas um chamado de lutas e sacrifícios. O chamado pastoral é um chamado excelente, mas não do ponto de vista humano.
Que sejamos pastores, há muitas ovelhas perdidas carecendo de cuidados, muitas estão feridas pelos mercenários, sentem-se exploradas, usadas e enganadas. Muitas estão arredias, pois confiavam em um suposto pastor que deveria cuidar dela, mas foi ferida por este. Que a cura do Senhor seja sobre cada ovelha ferida, que haja restauração para estas preciosas vidas!
Um abraço, JM

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