Livro_Pensando_a_vida

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sábado, 28 de março de 2009

Casulos, lagartas, borboletas... Fases da vida.



Hoje eu estava andado por aí e pensando na vida, aliás, não tem jeito melhor de pensar a vida do que andando por aí...

Andando por aí é que a vida se revela como ela é, um passo após o outro, e assim segue a vida passo a passo. Pensar a vida passo a passo a torna mais leve, e mais bela, bela e leve como uma borboleta...

Pensando a vida andando por aí me mostra como são belas as cores que compõem meu cotidiano, mas só dá para perceber as cores se sairmos e andarmos por aí...


As borboletas são belas porque são livres, suas cores são determinadas pelas cores das flores que a cercam... Como são lindas as borboletas! Às vezes não dá nem pra acreditar que um dia foram lagartas, (que transformação!)


Andando por aí encontramos muitas borboletas, algumas já com as cores das flores, lindas e belas... Outras, porém, ainda no casulo... Tipo sem aparência alguma, sem expressão. Como é duro não ter expressão... Ou lidar com que não tem...


Mas ainda encontramos borboletas em seu estado mais terrível, no estado de lagarta... Quantos têm medo de lagartas? Se ao menos nos lembrássemos que esta horrível e amedrontadora lagarta é uma borboleta em potencial... Quem sabe não a mataríamos?


Pensando a vida eu percebo que pessoas e situações podem mudar, podem se transformar... De lagarta a falta de expressão; de falta de expressão a borboleta. Borboletas não nascem prontas, são resultado de um processo de transformação.


Andando por aí eu percebi que em alguns momentos da vida que um casulo é o melhor lugar da terra, pois é dele que sairei completamente transformado... Eu quero um casulo!


Pensar a vida e andar por aí é o melhor remédio para quem se encontra em um casulo existencial, ou com angústia apertando o peito.


Hoje uma feia lagarta, em breve uma linda borboleta!


JM 2009



sexta-feira, 20 de março de 2009

As marcas de uma história interrompida...



Este texto brotou em meu coração hoje quando eu fui pegar uma doação em um apartamento com um amigo e a dona estava lá, daí ela falou-nos um pouco do que aconteceu e culminou na doação daqueles móveis. Ela havia se separado e tinha vendido quase tudo para pagar as contas, não tinha mais como se manter, pois tinha uma filha de um ano e oito meses e o pai da menina não estava dando pensão.


Quando cheguei lá e comecei olhar o apartamento e via muitas marcas, apesar de estar praticamente vazio, estavam lá, espalhadas por todo lado, muitas marcas, muitos sinais. Estas marcas contavam na minha mente uma história, uma história que por algum motivo, justo ou não, foi interrompida. Elas contavam a história de um lar desfeito, de uma mulher marcada e de uma menininha que ainda tão pequena está experimentando a dor de uma história com um final inesperado, uma história interrompida.


Em cada cômodo daquele apartamento havia uma parte desta história, nos quartos as marcas das camas, dos armários, dos quadros e espelhos nas paredes. Na sala, tão bonita outrora, suponho, estava registrado as marcas do sofá, da estante, da mesa de jantar, dos quadros que continham paisagens e lembranças de um tempo em que era tudo diferente, as paisagens e memórias foram pra alguma caixa no dia da "mudança".


Mudança mesmo, tudo mudou, o marido eu não sei pra onde foi, mas a esposa voltou com a filha pra casa do pai dela, nem pode levar o lindo bercinho pra lá (então ela doou), pois na casa do pai dela não havia espaço pra ele, pois fora planejado pra um outro espaço, tudo teve que mudar. Quando fomos pegar o bercinho eu notei que havia um cuidado especial com aquela peça, havia detalhes, e acima de tudo era onde a sua filhinha havia dormido um ano e oito meses.


Uma história assim desfeita não deixa marcas apenas no apartamento, mas também no rosto, mas não apenas no rosto, mas especialmente na alma. Aliás, os sulcos mais profundos do rosto são reflexos dos que estão lá, no mais profundo da alma. Lá, na alma, estão muitas marcas da história interrompida, as que estão nas paredes, no chão e nos quadros que as paisagens não inspiram mais, todas não passam de resultados, não são a causa.


Muitas vezes olhamos as marcas e queremos tratá-las, como se fosse assim, é como se tratássemos o apartamento colocando tudo de volta, limpando as marcas do chão e das paredes. Definitivamente não dá, não se resolve assim, é preciso ir à raiz do problema, tratar a alma, o coração.


O sábio Salomão escreveu em seu livro de sabedoria que o coração alegre embeleza o rosto, é meu amigo, quem vê cara vê coração sim. As marcas do rosto são, na verdade, marcas da alma, bem como, marcas nas paredes e no chão de um apartamento vazio são o as marcas de uma história interrompida por circunstancias das mais variadas, que muito provavelmente, brotaram destas marcas da alma. E para problemas da alma, só tem um jeito, entregá-la àquele que a conhece melhor do que qualquer pessoa, melhor do que você mesmo, Jesus. Ele restaura a alma, e muda tudo, inclusive histórias interrompidas, ponto final se torna vírgula, e os quadros de paisagens voltam às paredes inspirando àqueles que a uma "vírgula" atrás não inspiravam mais. As marcas do rosto dão lugar ao sorriso que se abre, muitas vezes regado por lágrimas da emoção de receber os sonhos de volta, o bercinho, as camas, a geladeira, a mesa de jantar. Ele pode devolver o marido a esposa, a esposa pro marido, o pai pra filhinha, enfim, tudo volta a acontecer como o que dantes foi sonhado.


2009 JM



domingo, 15 de março de 2009

Perguntas e respostas

Eu nunca fui lá estas coisas na escola, sempre fiz muita bagunça... Dizem as más línguas que até coloquei fogo na escola uma vez, não me lembro disso...

Mas eu me lembro dos colegas que tinha lá na escola João Jazbik, era uma turma boa, tinha o Juruna, o Augostinho, o Messias, e muitos outros. Mas tinha um que era o meu melhor amigo, o Antonio de Pádua, ele morava na minha rua, e tinha este nome por causa do santo Antonio, o santo casamenteiro.


Eu me lembro que nós não gostávamos muito das brincadeiras mais populares da escola, futebol, pique corre, bandeirinha e etc. Nós nos sentávamos em cima de uma velha árvore (que está lá ainda hoje) e começávamos a conversar sobre muitas coisa que meninos de sete a nove anos conversam, para os adultos amenidades, ou como dizem por lá 'bobisse'. Para nós era coisa séria, muito séria...


Antonio de Pádua e eu nesta época fazíamos catecismo na paróquia de São Jorge, com o Padre Eduardo e com a tia Dulce, (eu devo confessar que não gostava muito) passávamos uma boa parte das tardes de sábado estudando e respondendo perguntas acerca da fé católica e assim com tudo correndo bem, faríamos a tão esperada primeira comunhão... Grande evento para minha família e para a dele também.


Como não nos divertíamos com os outros colegas nas brincadeiras mais tradicionais, agente subia na velha árvore começava a conversar, falávamos muita coisa, mas o assunto mais cotado era sobre religião. Nossas questões eram bem relevantes para dois meninos de sete anos, eu já tinha sido levado algumas vezes à segunda igreja batista pelo meu tio que sempre que estava em Pádua fazia questão de nos levar aos cultos dominicais naquela congregação. Nestas visitas a segunda igreja batista muitas questões nasceram em meu coração.

Então eu perguntava pra ele, que era mais fiel a fé católica do que eu, como Maria podia ser mãe de Deus? Por que havia lá estátuas se a bíblia proibia? Por que se confessar com o padre se ele era homem igual à gente? Por que padre não se casava se era Deus que havia inventado a família? Por que a missa era em latim se ninguém entendia nada? Ele não conseguia me responder nada, mas também não perguntava nada, virou um padre, e acho que foi mais pra agradar a família, que tinha um sonho de ter pelo menos um padre e uma freira na família.


Como você pode perceber, eu desde pequeno tive um "q" de questionador, sempre fui de questionar, de fazer perguntas, de fazer muitas perguntas. Eu não mudei, continuo fazendo perguntas e por isso descobri que o ônus da pergunta é a resposta. Bem pior do que perguntar é receber a resposta. É, eu sei que parece estranho para você, é pra mim também... O que acontece é que o poder de perguntar está comigo, mas o de responder é do outro, isso complica a coisa toda, pois nem sempre recebemos a resposta que esperamos, ou mesmo gostaríamos de receber.


De uns tempos pra cá andei fazendo umas perguntas que me renderam algum sofrimento na alma. Comecei a questionar muita coisa, e depois de algum tempo comecei receber respostas, e sobre estas não tenho controle algum, e esta tem me ferido a alma, não porque são mentiras, mas verdades.


Eu cheguei à conclusão de que viver em um mundo de utopias é muito mais fácil do que encarar de frente as verdades contidas nas respostas que recebemos quando questionamos. Fiz perguntas a mim, a Deus, ao mundo. O pior é que fui respondido, e com as respostas o castelo de areia se desmoronou,precisei começar reestruturar a minha vida diante destas verdades. É preciso agir, mas como é difícil recomeçar! Como é duro dar o primeiro passo do recomeço, devido ao fato de ser obrigado a reconhecer que em muitas coisas eu fracassei, aliás, eu mais fracassei do que triunfei. Muitas vezes parece que a carga está pesada demais, então eu me arrasto em direção à verdade, em direção ao que me fere, ao que me deixa sem chão.


Hoje eu estou aqui, com uma única certeza em meu coração, vou continuar questionando, fazendo perguntas e pedindo forças para aprender a lidar comigo mesmo quando estiver de cara com as respostas de tais perguntas.


Hoje, sou uma vítima das minhas próprias perguntas, ou das respostas que recebi. Mas essas respostas, mesmo sendo tão duras me revelam a luz, e com esta luz eu vou caminhar, sempre em frente, mudando a cada dia, para melhor. Muitas vezes deprimido, triste, cercado de dores, mas outras vezes cheio de alegria. Algumas vezes correndo e saltando, outras me arrastando, mas sempre na mesma direção, eu tenho uma direção, eu tenho pra onde ir. Eu não estou andando sem rumo!


Eu estou indo pra aquele que é a única verdade absoluta, Jesus. Eu sei que ao me encontrar nele eu me encontrarei em mim. Como disse Santo Agostinho: "Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto no repousa em Ti."


JM



sábado, 7 de março de 2009

Fique ligado, Deus pode não estar mais aí...



Eu não sei se sou normal, acho que não. Alguém já disse que se todo mundo ao seu redor está preocupado e você não, tem alguma coisa errada...


Às vezes fico espantado com as coisas que penso, e são de se espantar mesmo. Um dia desses, eu estava em um aniversário de 15 anos e lá comecei a conversar sobre a religiosidade em que vivemos nestes últimos tempos, fiquei meio doido e comecei a discursar sobre o Deus que sente, que se compadece, que se importa com as pessoas...


Não teve jeito, acabei falando algo que é duro, duro de falar e duro de ouvir, e na verdade eu acredito mesmo nas coisas que eu falo (bem, na maioria delas). Eu disse que quando Jesus sabe que tem uma "igreja" reunida em uma rua Ele passa na outra, pois o coração dele está mais próximo dos que sofrem que dos que celebram e buscam tudo para si em seu egoísmo.


As pessoas vivem enganadas adorando a um "santo dos santos" vazio, uma ilusão. Adoram a uma entidade que sequer sabem quem é. Que vida dura e tola essa! Um dia li um texto interessante, ele disse que a nossa tarefa é levar as pessoas a Cristo sem convertê-las a idiotice, tarefa dura essa, pois há uma tendencia forte no ser humano à idiotice, é preciso nadar contra a correnteza.


Eu concordo com o Bono Vox (U2) que em sua biografia disse que a religião é Deus indo embora e as pessoas ficando ali, em sua religiosidade vazia.


Neste ponto "igreja" cumpre uma tarefa muito importante nesta vida religiosa vazia do nosso tempo, a sublime tarefa de manter as pessoas anestesiadas, ocupadas com muitas coisas pra fazer e musicas,muitas e variadas musicas; encontros cheios de "experiências sobrenaturais" e frenesí... é como um entorpecente...os cultos são um tipo de droga, (pra não dizer que o são) quando essa gente perde isso (este tipo de droga) o vazio fica, e elas não sabem lidar com tal situação. Os líderes dizem aos gritos: "seja forte! A bíblia diz...bla,bla,bla,bla..."


Deus não tem endereço nem pessoas prediletas. Não é um servo de determinados falsos pastores para cumprir suas ordens, nem uma estátua que permanece inerte em algum lugar bem distante incapacitado de interagir com sua criação.


O nosso Deus, o da Bíblia, o Pai de Jesus é diferente, Ele gosta de nós, Ele tem prazer de participar das nossas fraquezas,da nossa vida por inteiro.


Então eu pergunto por que não sermos solidários ao coração terno deste Deus que sofre. A Bíblia diz que devemos chorar com os que choram e nos alegrar com os que se alegram, Deus está chorando com aqueles que estão chorando com fome nas ruas e becos da cidade; com as meninas molestadas; com os homens e mulheres que sem esperança que não pensam outra coisa se não o suicídio. Esse Deus deveras tem sofrido! Que sejamos complacentes com nosso Deus!


A outra possibilidade é se alegrar com Ele. Existe um texto que diz que há festa no céu em algum momento. Se há festa há alegria, Deus fica feliz. Mas em que circunstâncias Deus se alegra? É quando um pecador se arrepende, e um pecador pode se arrepender quando uma mensagem é levada a ele, o Evangelho.


A resposta ao perdão de Deus é o arrependimento, e a resposta ao arrependimento é a festa no céu. Vou me alegrar com o que se alegra, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Festa divina!


Não dá pra ficar aí cheio de religião vazia quando temos um Deus assim, que não é nada religioso, que não é preso a tradição alguma,que nao é membro da nossa "igreja", é simplesmente Ele mesmo, foi assim que Ele se identificou para um de Seus amigos, Moisés, Ele disse: Eu sou o que sou.


Se junte a este Deus, na alegria e na tristeza, vale à pena, pois não dar pra ficar nesta ilusão religiosa de "santíssimo" vazio.


Um abraço, JM.